Após 67 dias de um cativeiro brutal, que incluiu tortura, fome e estupro, um grupo de treze cristãos foi finalmente resgatado na Nigéria. Os fiéis haviam sido sequestrados em 28 de abril, durante uma cruzada evangelística no estado de Ekiti, marcando o fim de uma provação que revelou a crueza da perseguição religiosa e a complexidade dos desafios de segurança na região.
O Ataque e o Cativeiro Marcado por Tragédias
O pesadelo começou quando homens armados invadiram a cruzada da Igreja Apostólica de Cristo (CAC) em Eda Oniyo-Ekiti. Durante o ataque, o pastor que ministrava o evento foi tragicamente assassinado, e catorze pessoas, incluindo mulheres, dois meninos e crianças com idades entre dois e quatro anos, foram forçadas a seguir para a floresta, onde permaneceram em condições desumanas. Segundo o jornal nigeriano Premium Times, os sequestradores, que inicialmente exigiram um bilhão de nairas, reduziram o valor do resgate para cinquenta milhões. Embora a comunidade tenha conseguido arrecadar e entregar 10,5 milhões de nairas, além de outros itens, os criminosos não libertaram as vítimas imediatamente. Tragicamente, uma idosa de 84 anos não resistiu às adversidades do cativeiro e faleceu antes do resgate, elevando o número de sobreviventes para treze.
A Complexa Operação de Resgate
A libertação dos fiéis ocorreu em 3 de julho, fruto de uma operação meticulosa e conjunta das forças de segurança nigerianas. O porta-voz da Polícia de Ekiti, Sunday Abutu, informou que o resgate foi o desfecho de ações baseadas em inteligência e da colaboração entre a polícia, forças militares, a força de segurança comunitária Amotekun, caçadores locais, o governo estadual e outras agências. Ao serem encontrados, os sobreviventes apresentavam um estado de saúde extremamente debilitado; muitos estavam feridos, precisavam de ajuda para se locomover ou eram carregados por outros, e alguns relataram ter passado mais de uma semana sem alimento. Após serem resgatados, foram imediatamente encaminhados ao Hospital Universitário da Universidade Estadual de Ekiti (EKSUTH) para exames e atendimento médico urgente.
Relatos Chocantes de Abuso e Trauma Profundo
As revelações pós-cativeiro pintam um quadro ainda mais sombrio da experiência. O empreendedor cristão Didier Neza, que compartilhou vídeos dos fiéis libertados, detalhou a intensidade do sofrimento. Ele afirmou que as vítimas suportaram mais de 67 dias de um verdadeiro inferno na mata, onde mulheres foram submetidas a estupro coletivo, crianças enfrentaram fome severa, e todos foram alvo de tortura brutal e abusos. Neza confirmou que a idosa de 84 anos morreu em cativeiro em decorrência do estupro, tortura, fome e tratamento desumano. Atualmente, os sobreviventes recebem tratamento médico e psicológico no EKSUTH, mas, conforme Neza, todos retornaram profundamente traumatizados e com a saúde gravemente comprometida, evidenciando as cicatrizes físicas e emocionais deixadas pela barbárie.
Perseguição Cristã na Nigéria e o Silêncio Internacional
Refletindo sobre este e outros casos, Didier Neza fez um apelo contundente, criticando a falta de atenção da mídia internacional para a violência sofrida pelos cristãos na Nigéria. Ele destacou o contraste entre o silêncio observado em casos de sequestro e tortura de cristãos por jihadistas Fulani e a ampla cobertura quando o Boko Haram liberta reféns muçulmanos. Para Neza, esse silêncio não é acidental, mas intencional, servindo para ocultar o que ele descreve como um massacre sistemático de cristãos. Ele argumenta que a narrativa frequentemente apresentada, de um conflito religioso onde ambos os lados são igualmente vítimas, distorce a realidade, pois muitos muçulmanos morrem em disputas internas entre jihadistas, uma tática que, segundo ele, serve para encobrir a perseguição direcionada aos cristãos. Sua fala ressalta a urgência de uma maior conscientização e oração pela proteção da Igreja na Nigéria.
Fonte: https://guiame.com.br

